17 de maio de 2011

Minha Praça

Um dos lugares mais lindos que eu conheço é a Praça da Liberdade, eu considero o meu cantinho no mundo. Alguns dos melhores momentos da minha infância eu passei lá, lembranças de criança, a primeira bicicleta, os encontros de família pra ver a iluminação de Natal, todo ano. Sim, todo ano. Eu sempre tive essa imagem na minha mente, luzes lindas, coloridas, os corredores iluminados, tanta cor, tantos sons, tantas lembranças...
Pra quem não conhece, a Praça da Liberdade é bem no centro de BH, em meio a barulho, trânsito e todo caos em volta, a praça é quieta, silenciosa, vc ouve apenas a água, os passarinhos, imagina a paz de se ouvir pássaros bem no centro da cidade, as conversas, os risos... Essa praça é uma espécie de oásis.
O tempo passou e eu continuei sempre naquela praça, no ensino médio fazíamos piqueniques, a turma sentada conversando, rindo, brincando nas fontes, tocando violão. Detalhe, é la onde fica a Biblioteca Pública, outra paixão, sempre gostei muito de ler e lá era perfeito pra isso. A calma, a tranqüilidade, sentada na grama, sentindo a brisa, ouvindo a água e lendo um bom livro, uma paz indescritível.
 Eu e Mandy ainda vimos a praça se transformar em Lagoa da Liberdade, passei vários almoços no coreto quando fazia um treinamento da empresa a apenas um quarteirão dali, estudei pra prova final de química do primeiro ano, biologia no segundo e de matemática no terceiro, já fui embora a pé até a casa (longe) de um amigo pq tínhamos gastado o dinheiro da passagem em sorvete, rodas de capoeira infinitas que entravam pela noite. Eu ainda levei meu irmão pra ver a passagem da caravana de caminhões da Coca-Cola no natal...  Um dos mais legais foi quando houve uma passeata de estudantes, eu tava no segundo ano, nós subimos pela praça em direção ao Palácio da Liberdade, sede do governo do Estado, um sentimento de civilidade, de grupo, de ser parte de uma luta maior que qualquer um de nós. Lembro que bem em frente à praça, tinha uma velhinha de cabelos bem brancos, devia ter lá seus 80 anos, ela ficou na janela do apartamento acompanhando a movimentação e sacudindo uma bandeira do Brasil com um sorriso enorme no rosto. Eh, coisas que acontecem na Praça da Liberdade.  

Algumas vezes eu ia pra ficar simplesmente sentada no coreto vendo a dança da água nas fontes em silencio. Época do teatro, risos, brincadeiras, muita música, dançando com e para desconhecidos, recitando textos enquanto alguns admiravam, enquanto outros deliberadamente riam de nós. A gente não ligava. Pq ali não tem espaço pra nenhum sentimento negativo, a gnt tava feliz. Só feliz.
Tive momentos lindos, inesquecíveis. Um fim de tarde, uma visita inesperada, a alegria simples daquela menina ganhando a primeira bicicleta, o brilho nos olhos enquanto o 
coração batia forte, não acreditava que aquilo tava acontecendo. Um domingo de manhã, um 
saxofone e um abraço. Eu tava feliz, só feliz.
 
Não tem como não se apaixonar por esse lugar, o que quer que vc procure vc encontra por lá, paz, música, dança, tem gente de todas as cores, artistas de todas as formas, músicos, atores, dançarinos, gente jovem, gente velha, todas as tribos possíveis passam por lá, um lugar pra se pensar, sentir...

Ai que saudades da minha praça...

1 comentários:

A.S. disse...

Kel,

Há lugares que jamais deixarão de habitar dentro de nós!...


Beijos!
AL